Bancos Comunitários de sementes como Tecnologia social e solidária para agricultores urbanos da cidade do Rio de Janeiro

Marcelly das Dores Mendes Lima, Augusto de Salles Guerra Júnior, Ilzo Artur Moreira Risso, Cristhiane Oliveira da Graça Amâncio, Ana Cristina Siewert Garofolo

Resumo


As sementes têm como principal função a perpetuação e multiplicação das espécies, sendo o ato de partilha e sua guarda uma prática ancestral. Neste contexto a guarda compartilhada em Bancos Comunitários de Sementes adquire importância pelos laços de cooperação e confiança que se estabelecem. O objetivo deste estudo foi discutir os parâmetros para a implantação de bancos comunitários de sementes como tecnologia social e solidária junto a agricultores urbanos localizados no entorno do Maciço da Pedra Branca: Quintais produtivos da Colônia, Quilombo do Camorim, Vargem Grande, Quilombo Astrogilda, Guaratiba, Campo Grande, Quilombo Dona Bilinda e Pau da Fome. Neste território observa-se as práticas de agricultura urbana e periurbana nas quais estão inseridas as ações da Rede Carioca de Agricultura Urbana, a qual atua como um pilar importante para o desenvolvimento territorial. O estudo iniciou em 2022 a partir de uma etapa formativa onde buscou-se a construção de conhecimentos para guarda individual e coletiva de sementes. De modo complementar foi realizada uma pesquisa junto a guardiões de sementes e agricultores familiares do território utilizando questionários estruturados com questões que versaram conhecer o estado da arte, diversidade e guarda das sementes no Maciço da Pedra Branca. Foram entrevistados 20 atores sociais, para os quais, o armazenamento, a multiplicação e trocas de sementes são fatores de extrema importância. Evidenciou-se que a implantação de bancos comunitários exige ação coletiva, incluindo conhecimento compartilhado, escolha de um responsável pelo banco e a troca de saberes continuada. Cerca de 53% dos entrevistados afirmaram que participam ativamente das decisões da associação e ou da vida de sua comunidade, sendo que 84% afirmaram que a participação manteve-se a mesma ou aumentou no último ano. Entretanto a pesquisa mostrou necessidade de intensificar os laços de confiança para 63% dos entrevistados, o que deverá redirecionar as ações em curso.


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